Tu. Tu que me causas este pânico, este desconforto, este desassossêgo. Tu que ainda procuras o conteúdo de um gigante embrulho abstracto. Tu que continuas a fazer grande peso no lado esquerdo do meu peito. Eu. Eu que ainda tento levantar-me sem me lembrar de ti, sou alguém que te passa ao lado. Eu, que mesmo assim não desisto. Eu insisto, insisto e vou insistir. Até cair. Até cair e voltar a levantar-me. Eu sei. Eu sei que lutar por alguém, faz o outro sentir-se bem. Eu sei também que lutar por alguém e tu, sendo esse alguém, e tu, sendo dono do meu frágil e intacto coração, é como deixar a luta para trás. É como erguer o braço e abanar um lenço branco. É como dar conta de que tudo o que fiz foi sempre zero. É como dar a vitória a alguém, mesmo estando a ganhar. É como perder-se numa rota que sabe o caminho de cor. Mas diz-me. Diz-me o porquê de seres assim. Diz-me o porquê de me aplicares um rótolo. Um rótolo com "indifença" escrito, do lado do coração. Explica-me. Explica-me porque é que deixaste o ódio, a indeferença e tudo aquilo que não te pertencia, invadir-te, sem mais nem quê. Lamento. Eu lamento que não tenha sido tudo como eu queria. Lamento não ter sido tudo cor-de-rosa. Lamento não teres usufruido o mesmo sentimento que eu. Lamento eu ser tão agarrada a ti, que acabei por me esquecer do quão fácil é sofrer e perder alguém. O quão difícil é ser respeitado. Mas digo-te. Digo-te que de mim, nunca mais terás notícias. Disso podes ter a certeza. Faz as tuas malas, mete todo o essencial para nunca mais voltares. Faz as tuas pernas moverem-se e lembra-te. Lembra-te que não és bem-vindo.coração de papel
Tu. Tu que me causas este pânico, este desconforto, este desassossêgo. Tu que ainda procuras o conteúdo de um gigante embrulho abstracto. Tu que continuas a fazer grande peso no lado esquerdo do meu peito. Eu. Eu que ainda tento levantar-me sem me lembrar de ti, sou alguém que te passa ao lado. Eu, que mesmo assim não desisto. Eu insisto, insisto e vou insistir. Até cair. Até cair e voltar a levantar-me. Eu sei. Eu sei que lutar por alguém, faz o outro sentir-se bem. Eu sei também que lutar por alguém e tu, sendo esse alguém, e tu, sendo dono do meu frágil e intacto coração, é como deixar a luta para trás. É como erguer o braço e abanar um lenço branco. É como dar conta de que tudo o que fiz foi sempre zero. É como dar a vitória a alguém, mesmo estando a ganhar. É como perder-se numa rota que sabe o caminho de cor. Mas diz-me. Diz-me o porquê de seres assim. Diz-me o porquê de me aplicares um rótolo. Um rótolo com "indifença" escrito, do lado do coração. Explica-me. Explica-me porque é que deixaste o ódio, a indeferença e tudo aquilo que não te pertencia, invadir-te, sem mais nem quê. Lamento. Eu lamento que não tenha sido tudo como eu queria. Lamento não ter sido tudo cor-de-rosa. Lamento não teres usufruido o mesmo sentimento que eu. Lamento eu ser tão agarrada a ti, que acabei por me esquecer do quão fácil é sofrer e perder alguém. O quão difícil é ser respeitado. Mas digo-te. Digo-te que de mim, nunca mais terás notícias. Disso podes ter a certeza. Faz as tuas malas, mete todo o essencial para nunca mais voltares. Faz as tuas pernas moverem-se e lembra-te. Lembra-te que não és bem-vindo.
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