Gostava que estivesses aqui agora. Gostava
mesmo. Não só porque sinto uma saudade enorme de nós, mas também porque eras o
meu melhor amigo. Eras. As pessoas, realmente, mudam… No teu caso, podia ter
sido para melhor. Continuo a pensar que não era necessária essa reviravolta. Tu
dás que pensar. Depois de tudo o que passei contigo, do que me fizeste passar
com a tua ausência, ainda fazes questão de me perturbar e eu, eu continuo a
escrever para ti, mesmo sabendo que não obterei uma resposta. É esta vontade
que me sufoca, que me prende ao carvão e ao papel, que me prende ao nevoeiro do
teu olhar e ao brilho do teu sorriso. É tudo muito estranho para mim, apesar de
terem voado dois anos – tanto tempo – sem nos falarmos e sem trocarmos olhares –
e estamos tão perto – continuo a relembrar-te. Nas minhas visões continuas com
caracóis meio ruivos, meio castanhos... Continuas lindo, continuas a ser aquele
rapaz que eu adorava. De facto, essa viagem ao passado, esse mundo repleto de
quimeras, devaneios, só me fez recordar o quanto eu era feliz ao teu lado!
Percebi, de facto, que muito estava ainda por vir, e que, o que um dia fomos,
iria desvanecer-se, iria deixar de existir. Eramos à prova de bala, mas,
afinal, estávamos em vias de extinção. Partiste o meu coração, deixaste-o (mais)
fraco quando decidiste inverter o teu caminho. As tuas decisões afetaram-me
imenso, pois nelas só estava o teu nome incluído.
Chegaste alguma vez a pensar em mim
enquanto estiveste longe? Ou melhor, ainda pensas em mim? Ainda tentas falar
comigo? Pedir-me desculpa? Quem sabe um dia nos encontremos e falemos de tudo,
de nós e das nossas ideias sem fundamento que nos levaram a mergulhar neste
buraco escuro sem saída encontrada.
Mas até lá, muitos dias terão de
passar, muitas memórias terão de ser relembradas e muitas atitudes perdoadas.
Só queria mesmo saber se estás bem
agora, mas nem isso és capaz de me dizer.

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